
No dia 25 de novembro de 2025, às 19h30, na sede da Academia de Letras de Palhoça – ALP, instalada no Centro Cultural Laudelino Weiss, este sodalício de cultura e saber convocou todo o seu Corpo Acadêmico para a realização da Assembleia Geral Ordinária, a fim de eleger a nova Diretoria Executiva e o Conselho Fiscal para o biênio 2026/2027.
Após a leitura da nominata, a única chapa inscrita foi eleita por aclamação, resultando na seguinte composição:
Diretoria Executiva
- Presidente: Neusa Maria Bernado Coelho
- Vice-presidente: Adriana Martins Tjs
- 1ª Secretária: Liane Carvalho Oleques
- 2ª Secretária: Maria José Carvalho de Souza
- 1º Tesoureiro: Antônio Manoel da Silva
- 2º Tesoureiro: Oilson Carlos Amaral
- Diretor Geral: Marcos João de Matos
- Diretor de Relações Institucionais: Daniel Camargo Thomaz
Conselho Fiscal
Titulares
- Luiz Carlos de Sousa
- Eloah Westphalen Naschenweng
- Gladys Rosa
Suplentes
- Alcionê Silveira dos Santos (Ney Santos)
- Raquel Wandelli Loth
- Vanilda Tenfen Medeiros Vieira
A solenidade de posse e apresentação oficial da nova Diretoria ocorrerá no dia 9 de dezembro, às 19h30min, durante o jantar de confraternização, que será realizado no Restaurante Bokão, no Centro de Palhoça, Santa Catarina.
Presenças Ilustres e Celebração da Cultura Guarani
Na mesma noite, a Academia recebeu confrades, confreiras e convidados, incluindo representações significativas da cultura catarinense e das lideranças Mbyá Guarani do Território Indígena Morro dos Cavalos.
A presidente Neusa Bernado Coelho abriu a cerimônia e convidou a confreira Raquel Wandelli Loth para fazer a saudação do Patrono da Cadeira n.º 40, Adão Antunes Karaí Tataendy, figura emblemática dos povos originários Guarani da região. A apresentação do Coral das Crianças Guarani emocionou o público, reafirmando a força da cultura viva que pulsa no cotidiano do município de Palhoça.
Entre as lideranças presentes estavam:
- Kerexu Yxapyry, primeira mulher cacica do Território Indígena Morro dos Cavalos e filha de Adão Antunes Karaí Tataendy;
- Kennedy Karaí, jovem cacique da Aldeia Itaty, filho de Kerexu;
- Cacica Elizete Eliara Antunes, da Aldeia Tekoá Yakã Porã, também filha de Adão;
- Eliziane Antunes, liderança do território e filha do Patrono;
- Jekupe Mawe, liderança e genro de Adão;
- Ivete Antunes, esposa do educador homenageado.
Estiveram presentes também a simpática jornalista, pesquisadora e escritora Rosana Bond, referência nos estudos que entrelaçam memória, território e cultura e autora de obras como “O Caminho do Peaberu” e “A Saga de Aleixo Garcia”, e o professor de Naturologia e Comunicação Social, teólogo e coordenador do Projeto Revitalizando Culturas e Diversidades, Jaci Rocha Gonçalves, cuja presença enriqueceu o encontro com saberes que dialogam com a educação, espiritualidade e convivência comunitária.
O Coral dos adolescentes foi amplamente aplaudido por sua riqueza ancestral.
A presença dessas lideranças fortaleceu o diálogo entre a Academia de Letras e o território indígena, reafirmando a importância da literatura como ponte entre saberes, memórias e modos de existir.
Homenagem ao Patrono da Cadeira nº 40, Adão Antunes Karaí Tataendy
A noite também foi dedicada ao reconhecimento do legado de Adão Antunes Karaí Tataendy, Patrono da Cadeira nº 40 da ALP e uma das figuras mais importantes da educação indígena em Santa Catarina.
Primeiro professor Guarani a atuar em escolas públicas de educação indígena da Grande Florianópolis, Adão foi um defensor incansável da preservação da língua Mbyá Guarani, de sua espiritualidade e de sua memória ancestral.
Fundador da Escola de Educação Indígena Itaty, foi também um dos responsáveis pela Proposta Curricular de Santa Catarina, contribuindo no Núcleo de Estudos Indígenas – NEI.
Além do livro Palavras do Xeramoi (Editora Cuca Fresca), deixou um acervo de livros artesanais, escritos e ilustrados à mão, verdadeiras joias narrativas que registram histórias sagradas sobre a origem do mundo, segundo a cosmologia Guarani.
Nascido de Estevão Antunes, de ascendência mestiça, e Maria Joana Moreira, indígena da etnia Xiripá, Adão dedicou sua vida à educação, à formação de crianças e jovens e ao fortalecimento da identidade Guarani.
Chegou ao Vale do Maciambu em 2000, acompanhado de sua esposa Ivete Antunes, com quem teve oito filhos — três deles já falecidos.
Faleceu em 7 de agosto de 2015, mas sua memória permanece viva na luta, no canto e na espiritualidade que florescem nas aldeias do Morro dos Cavalos e inspiram, até hoje, educadores, líderes e escritores.

