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DISCURSO PRONUNCIADO PELO ACADÊMICO JOSÉ ISAAC PILATI, TITULAR DA CADEIRA Nº 09 DA ACADEMIA DE LETRAS DE PALHOÇA, EM SESSÃO DE SAUDADE A JOÃO FRANCISCO VAZ SEPETIBA, EX-OCUPANTE DA CADEIRA N. 01, REALIZADA EM 30 DE MAIO DE 2015, NA SEDE DA ALP, EM PALHOÇA.

Excelentíssima Presidente da Academia de Letras de Palhoça, escritora e poeta Sonia Ripoll Lopes; Excelentíssimos familiares do homenageado, a viúva e confreira Zelka de Castro Sepetiba, a filha Roberta Quezado, advogada, o filho Rodrigo Sepetiba, Médico, a irmã Aracy Spetiba, e também o genro Paulo Cesar Quezado e o neto Bernardo Quezado; excelentíssima escritora Inês Carmelita Lohn, que representa as instituições coirmãs da Grande Florianópolis; excelentíssimos confrades acadêmicos; senhoras e senhores amigos do homenageado e da nossa Academia,

João Francisco Vaz Sepetiba foi o primeiro Presidente desta Academia de Letras de Palhoça, como titular da Cadeira do Príncipe, a do primus inter pares, a Cadeira número 01; que tem por Patrono, justamente e com justiça, seu bisavô José Honório da Costa, ex-Prefeito e nome de rua nesta cidade de Palhoça, figura ilustre e culta, da qual Sepetiba tinha, sem dúvida e com justa razão, o maior orgulho.

João Francisco Vaz Sepetiba foi o fundador deste sodalício, sob as luzes de Paschoal Apóstolo Pítsica, o imortal Presidente da Academia Catarinense de Letras, seu amigo de todas as horas. Paschoal contratara-o para revisar as publicações da sua Academia, e juntos, já aposentados, eles varavam manhãs, tardes e horas da noite, a trabalhar e comentar os textos e autores, os acontecimentos da época e volta e meia, a ideia de fundar uma Academia de Letras em Palhoça.

João Francisco Vaz Sepetiba tomou posse na ALP, sob os auspícios da Academia Catarinense de Letras, no dia e na própria solenidade de fundação da instituição, em 13 de fevereiro de 2003; uma semana depois, em 20 de março de 2003, sério, circunspecto e emocionado, proferiu seu discurso de panegírico ao bisavô e Patrono, numa das salas da TV UFSC, obtida com seu prestígio de ex-servidor da Universidade. Sonhava com uma Academia pujante, a ombrear com as demais e a congregar as congêneres municipais do Estado.

Em 11 de maio de 2003, logo depois, entretanto, faleceria Paschoal Apóstolo Pítsica, e Sepetiba sofreu profunda e amargamente o golpe. Nunca mais foi o mesmo. Entrou em depressão irreversível, passou a presidência a Manoel Sheimann da Silva, e isolado e triste faleceu em 29 de janeiro de 2014 em São Paulo, aos 78 anos de idade, sob os cuidados do filho médico Rodrigo, da filha advogada Roberta e da esposa, nossa confreira Zelka de Castro Sepetiba. Não morreu pelo corpo, morreu antes pelo espírito, e longamente se velou em vida, até a última das velas do seu bondoso coração.

Por ocasião de sua morte, além do registro que constou no site da nossa Academia, o grande jornalista Moacir Pereira, da Academia Catarinense de Letras postou em seu Blog, no clicrbs:

Além de ser uma grande figura humana, Sepetiba era um excepcional revisor de livros, atividade que exerceu com brilhantismo durante décadas em que atuou como zeloso servidor da Imprensa Universitária da Ufsc.

Era, também, um incentivador dos escritores, sugerindo obras, pesquisas e publicação de trabalhos sobre aspectos da história e da conjuntura catarinense.

Uma semana depois, por ocasião da missa de sétimo dia, o obituário do Jornal Diário Catarinense registrou a seguinte nota, postada por Dina Freitas:

No dia 30 de janeiro, João Francisco Vaz Sepetiba morreu em decorrência de um câncer de pele, aos 78 anos. Nascido em Florianópolis, trabalhou vários anos como jornalista no jornal O Estado na capital catarinense. Ingressou na Universidade Federal de Santa Catarina como revisor de textos trabalhando na Imprensa Universitária. Gostava muito de ler, tinha o hábito de passar as tardes lendo jornais, revistas e livros de amigos. Por ser um homem muito culto e com grande bagagem intelectual, era muito requisitado para fazer revisões de dissertações de mestrado e teses de doutorado, trabalhos de conclusão de cursos, livros e revistas.
Sepetiba conhecia profundamente a língua portuguesa, por isso recebeu de amigos e familiares o codinome “dicionário ambulante”.

Era membro da Academia de Letras de Biguaçu. Foi um dos fundadores e presidente da Academia de Letras de Palhoça, juntamente com Paschoal Apostolo Pitsica e outros escritores. Era casado havia 47 anos com a professora Zelka de Castro Sepetiba, com quem teve dois filhos Rodrigo e Roberta, dos quais tinha muito orgulho. Deixou quatro netos: Marcela, Arthur, Bernardo e Matheus, pelos quais sentia um grande afeto.
O sepultamento ocorreu no Cemitério Jardim da Paz. A missa de 7º dia será na Igreja de Santo Antônio, hoje às 19h, no Centro de Florianópolis.

Do referido discurso de 20 de março de 2003, gostaria de destacar a passagem referente ao bisavô Patrono da Cadeira n. 01, José Honório da Costa, e com isso, creio, presto a Sepetiba a homenagem que gostaria, reproduzindo a sua voz no plano da ancestralidade:

E é com muita honra e contentamento que procuraremos enfocar, em rápidas pinceladas, a vida de meu bisavô, Coronel José Honório da Costa, descendente direto de Thomaz Francisco da Costa, de onde proveio a numerosa família Costa de Santa Catarina. É imperioso salientar que foi Antônio José da Costa, nascido no Desterro, em 1751, filho de Thomaz Francisco da Costa e Mariana Jacinta Vitória, quem fora incumbido de estudar a topografia e fazer a picada inicial para a abertura da estrada que ligaria, definitivamente, Lages a Desterro, isso no longínquo e distante ano de 1787, naturalmente com as grandes dificuldades e com a falta de recursos que a época impunha. Essa tarefa heróica e hercúlea, que despendeu ingentes esforços braçais, redundou na realidade que todos hoje podemos admirar e desfrutar: a bela Br-282, que liga Florianópolis a Lages. Eram progenitores de meu bisavô, Coronel José Honório da Costa, Laurentino e José da Costa e Prudência Costa.

Meu bisavô convolou núpcias com Alexandrina Ávila da Costa, provindo da benfazeja união duas filhas, Alice da Costa Vaz, que viera a casar-se com o pecuarista e fazendeiro, João Vaz Sobrinho, proprietário do matadouro de bois no bairro Estreito e fornecedor único da carne bovina que era consumida em Florianópolis. Meu avô, João Vaz Sobrinho, era um grande estancieiro, pois possuía a fazenda Figueiredo, em Bom Retiro, de onde provinha o gado para ser abatido, e também o Pasto do Gado, no Estreito, para onde era conduzido o rebanho bovino.

A irmã de minha avó chamava-se Eugênia Ávila da Costa Valente, pois viera a casar-se com Domingos Valente, proprietário da então Companhia de Força e Luz de Lages, isso nos primórdios do século XX.

Com a preocupação maior de educar suas duas únicas filhas, Alice e Eugênia, meu bisavô, Coronel José Honório da Costa, deixa sua imensa fazenda Capitão-mor em Bocaina, distrito de Lages, aos cuidados dos bons e fiéis capatazes e peões, assim como sua vivenda em Lages para vir morar, definitivamente, em Palhoça, com toda a sua família. Como era um homem de posses, adquiriu uma vasta gleba de terras e uma casa que desse o conforto a que sua prole estava acostumada. Sem maiores delongas, instalou em Palhoça uma casa comercial com o que de mais moderno havia à época. Os paquetes e veleiros que aportavam na Desterro de outrora traziam cristais da Alemanha e da Áustria, perfumes da França, vinhos de Portugal, tecidos da Inglaterra, os quais eram comercializados em sua loja de Palhoça e também vendidos em Lages e outras cidades do Planalto Serrano. Para seu lazer, adquire uma ampla área de terras no lugarejo denominado Passa-Vinte, onde descansava periodicamente.

O Coronel José Honório da Costa, já perfeitamente integrado à sociedade palhocense e trazendo seu labor diuturno para o progresso sempre crescente do município, também participou ativamente da vida política, social e econômica da cidade. Por ocasião da instalação da comarca de Palhoça em 1906, em nome do Conselho Municipal, proferiu uma alocução candente e veemente, em regozijo pelo auspicioso e alvissareiro acontecimento.

É imperioso salientar que meu bisavô foi prefeito de Palhoça. A acolhedora e bela cidade, com seu povo hospitaleiro e trabalhador, homenageou-o colocando o seu honrado nome em uma de suas vias públicas.

Senhora Presidente, diletos confrades.

A civitas romana usava um termo que representava a beleza viril no plano social, como antitético de venustas a beleza feminina. O que distinguia um homem em sociedade era a dignitas, cujo sentido, dignidade, expressava o mérito público, o merecimento de boa fama de um varão, aí compreendidos o prestígio, a consideração e a estima social; a dignitas iluminava os cargos como o sol os planetas, na Sociedade romana. João Francisco Vaz Sepetiba foi antes de tudo um homem digno, e sua luz de Acadêmico fundador ilumina, guarda e governa esta Academia.

A Casa Paschoal Apóstolo Pítsica, cujo teto sagrado nos abriga neste momento e todos os dias, é a nossa tenda de dignidade e memória. A nossa dor e a nossa saudade, são o nosso reconhecimento vivo, e esse todo forma e constitui a nossa própria dignidade acadêmica. Nunca esqueceremos que essa luz que nos ilumina e congrega vem da suprema dignidade do nosso Primeiro líder, que foi líder e fundador; porque não brilhou pelo fausto da riqueza ou pela chama fugaz do poder.

Brilhou por si próprio com sua inteligência e amor à causa da língua e da cultura; em suma, foi voz da dignidade, e esta é a herança que legou a este Sodalício, sempre pujante e imortal.

 

Muito obrigado!


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