
Em uma noite marcada por emoção, respeito e resgate ancestral, a Academia de Letras de Palhoça (ALP) realizou, no dia 29 de setembro de 2026, às 19h30, a apresentação do panegírico em honra a Adão Karai Tataendy Antunes, patrono da Cadeira nº 40 da instituição. O evento ocorreu no Centro Cultural Laudelino Weiss, localizado no Centro do município.
A solenidade teve como protagonista a confreira Waléria Külkamp Haeming, ocupante da cadeira, que apresentou o fruto de um minucioso trabalho de pesquisa, leitura e entrevistas sobre a trajetória de seu patrono. Adão Antunes, falecido em 7 de agosto de 2015, foi uma das mais importantes lideranças indígenas de Santa Catarina. Cacique, professor, pesquisador e autor do livro Palavras do Xeramõi, ele se destacou como referência na educação e na preservação da história e da cultura Guarani, com especial atuação na região do Morro dos Cavalos, em Palhoça.
Durante a cerimônia, que contou com a presença de acadêmicos, familiares, amigos e membros da aldeia indígena Guarani Mbyá, do Morro dos Cavalos, Waléria enfatizou que a apresentação do discurso ultrapassou as exigências formais e os ritos do protocolo acadêmico. Para a escritora, o momento significou emprestar a própria voz para dar alcance ao legado de um educador que combateu o apagamento cultural e defendeu a escola como um território de afirmação e pertencimento.
A solenidade ganhou um tom ainda mais comovente com a presença da família do homenageado — incluindo sua esposa, Ivete Jaxucá, os filhos Elizandro Antunes e Eliziane Ara, e os netos Cacique Kennedy Karai, Nicolas e Eliel. Colegas de academia e convidados descreveram a sessão como um raro momento de leveza espiritual e profunda reflexão humanitária sobre o papel e a valorização dos povos originários do Brasil. Alguns participantes chegaram a usar a tribuna para proferir alocuções em favor do homenageado, enaltecendo também a brilhante apresentação da colega acadêmica.
Para a Academia de Letras de Palhoça, a homenagem reafirmou a função social e afetiva da literatura: resgatar histórias, perpetuar memórias e garantir que as raízes da identidade cultural catarinense e brasileira sigam vivas para as futuras gerações.
Após o evento, Waléria autografou seu novo livro, Mulherices: Crônicas de e para mulheres... mas que todos podem ler, em lançamento realizado na sala ao lado. A confraternização seguiu em ritmo descontraído com a oferta de um coquetel
